Naquela manhã, como em todas as anteriores, acordei antes de tocar o despertador, mas permaneci deitada até que o barulho ensurdecedor anunciasse que o tempo chegou em seu limite máximo.
Sentei na beirada da cama e sonolenta busquei com os pés os meus chinelos... os encontrei, os calcei e fiu ao toalete.
Após ter cumprido com minha rotina matinal, que inclui higiene pessoal, arrumar da cama, abrir a janela, tomar um suco rapidamente, correr e pegar a bolsa, as chave de casa, do carro, enfim os apetrechos necessários para o decorrer daquele dia ... Desço para a garagem.
- Que é isso? Um bêbado em meu portão? Justo hoje que estou com tanta pressa?
Fui determinada a pôr pra correr o desocupado que estava atrasando, atrapalhando o meu dia.
- Ei você... Gritei... O indivíduo nem importou-se.
Abri o carro, joguei minhas coisas lá dentro e fui disposta a por o desocupado para correr dali.
- Escuta moço... Dá pro senhor dar licença?
Não havendo reação nem movimento algum, cuidadosamente me aproximei e constatei que não tratava-se de um bêbado e nem de um desocupado mas de um pobre coitado que foi brutalmente assassinado e largado em frente á minha casa.
Por alguns segundos tudo á minha volta parou, girou....
Certamente este cadáver foi um cidadão que tinha família, mãe, esposa, filhos e certamente que estavam a sua procura... Com estes pensamentos retomei a razão, então busquei nos bolsos alguma identificação, não encontrei nada... Me dei conta que estava mexendo em um morto... Desesperadamente corri para o interior da residência, tranquei tudo e liguei para o meu marido e para a polícia. Meu marido logo chegou já a polícia não tão logo, mas chegou.
O que julguei ser um bebum desocupado, que triste, era uma vítima da criminalidade que instalou-se em minha cidade, esta cidade que escolhi, pois acrediteí que viveria melhor e em paz com meus filhos e os filhos dos meus filhos.
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